Lançado em 2002, o filme com o Jackie Chan, como de costume quando o protagonista é tal ator, é de ação, abordando lutas de um contra cem, golpes marciais e muita pancadaria.
Jackie Chan é um chofer, que ao vestir o terno de seu patrão ganhar incríveis poderes, incorporando Chuck Norris. Para quem nunca viu, aqui vai o link para assistir o trailer e em seguida a sinopse do filme.
Trailer – O Terno de Dois Bilhões de Dólares http://www.cinematotal.com/trailers_view.asp?id=14346&idf=9248&t=O+Terno+de+2+Bilh%F5es+de+D%F3lares
Sinopse: Jimmy Tong (Jackie Chan) é o simpático chofer do milionário Clark Devlin (Jason Isaacs), que acaba sofrendo um acidente que o hospitaliza. Tong é enviado para a casa de seu patrão para resolver alguns assuntos quando, sem saber, decide experimentar seu terno. Tal ato não haveria nenhum problema se o terno de Devlin não fosse computadorizado e desse a quem o veste uma série de poderes, fazendo com que Tong se envolva em uma intriga internacional de espionagem que o coloca ao lado de Del Blaine (Jennifer Love Hewitt), sua mais nova parceira.
O filme é bom, apesar de todo o exagero que sempre acompanha esses filmes onde sete caras armados ficam esperando, um a um, a sua vez de apanhar de um cara que bate até com a cortina.
Ligando os pontos.
Ontem, como medida de evitar que confrontos como o de domingo pela manhã entre “torcedores” ocorram daqui para frente, a Federação Paulista acatou o pedido da Polícia Militar e baniu dos estádios a Gaviões da Fiel e a Mancha Verde. Bani-las significa que durante algum tempo ninguém poderá entrar nos estádios paulistas com vestimentas, faixas, bandeiras e/ou instrumentos de tais torcidas.
O que isso muda? Bom, caso a camisa da organizada for como o terno de 2 bilhões de dólares utilizado por Jackie Chan, tudo. Caso contrário, nada.
Sou torcedor organizado há quatro anos, acompanho em particular a Gaviões da Fiel a, no mínimo, 6, 7 anos. Muito antes disso, pelo fato de ser apaixonado por futebol, tenho lá minha admiração por toda e qualquer festa feita na arquibancada. Não sei quem foi que me ensinou, mas eu aprendi bem que ser, em primeiro lugar e acima de tudo, Corinthiano e, tempos depois, torcedor organizado não implica que eu tenha que desvalorizar, desmerecer e desprezar tudo que seja relacionado com outro time e/ou torcida.
Não estou aqui para fazer defesa de ninguém. Repudio a desvalorização da vida – porque é esse o termo que define alguém que atira pra pegar em qualquer um ou que dá pauladas na cabeça de alguém caído. Sobre brigas, bom, quem faz parte desse meio sabe que é, digamos, cultural da torcida organizada, como bem disse o diretor do filme Holligans “é o clube da luta da classe operária”. Mas nada justifica ou motiva, pelo menos logicamente, o extremo. E convenhamos, a “ética” na hora do confronto, a tempos, já caiu por terra.
Em tempo, ser torcedor organizado não exige que você acorde cedo pelo domingo, geralmente o dia em que descansa o camarada que trabalhou a semana toda, para ir relar a mão em homem que torce por outro time. E na moral? O domingo pela manhã é o único tempo que tenho tido na minha corrida rotina para não fazer porra nenhuma. Logo, uso para isso, fazer porra nenhuma.
Mas voltando ao foco, proibir que se vistam para ir aos estádios não vai mudar nada. E isso também é chover no molhado. A minha camisa nunca me mudou, pelo menos não para pior. Com ela, por ela e através de grandes homens que vestiram e vestem ela, aprendi muita coisa que utilizo em cada momento da minha vida, em cada decisão, em cada ação, em cada proceder. E acredito que seja assim, pelo menos na essência, com qualquer outra torcida de qualquer outro time.
A medida adotada não é para solucionar. A real é que, para alguém que está na parte de cima da pirâmide, confrontos e mortes como as de domingo interessam. O intuito ainda passa por acabar com as organizadas. Mas parece que os próprios organizados não se deram conta de que, toda vez que mordem a isca, contribuem diretamente para que as entidades sejam fechadas e que o pouco de bom que ainda fazem por lá, seja perdido por nada.
O quanto dar paulada na cabeça do “inimigo” ajudou o time no jogo à tarde?
Aliás, não relaciono o ocorrido com o futebol, ele não merece isso. E quem ama o futebol e o compreende deveria fazer o mesmo. Ninguém vai pro pau porque gosta de futebol, vai porque gosta de estar ali, e estar ali também é conta dele; até que se prove o contrário, é um cidadão que paga suas contas e faz o que bem entender – é lógico que o único problema disso é atingir pessoas que nada tem a ver com a “guerra”.
Fato é que ninguém é santo nessa patifaria. Nem os “torcedores” – tanto os que mataram quanto os que morreram; nem os policiais – que sim, tinham consciência do possível confronto e pouco se prepararam, e não o fizeram de forma proposital, não tentem me convencer do contrário; nem o estado – que tem instrumentos para garantir a segurança do cidadão de bem e não os utiliza, enquanto permite que 500 pessoas se ataquem à luz do dia em plena maior cidade do país.
Como costumo dizer, cada um sabe o seu papel nessa história. Fazer o contrário faz com que todos percam. Alguns o prazer, outros o tempo, alguns a sensação de segurança, outros a vida.
O buraco é mais embaixo, mas também não é tão difícil de resolver. É que, para os caras do poder, a carnificina convém, e para os bandidos, a impunidade também. Atende à interesses e eu já ia dizer que o principal estava sendo deixado de lado, mas como eu disse, esse tipo de imbecilidade nada tem a ver com o futebol. O Corinthians, o Palmeiras ou qualquer outro não podem ter relação com isso – exceto para a mídia sensacionalista que descarta a qualidade e o bom senso.
A camisa, independente de qual torcida, não faz a cabeça de ninguém, não transforma a índole de ninguém. E princípios são princípios. O Estado prefere proibir do que educar – como fez com o caso das sacolinhas, onde “observou” ser mais fácil proibir que sacolinhas sejam distribuídas do que educar o cidadão a não as jogar no chão.
Violência, inconsequência, inconsciência.. tudo isso está no ser humano, não em sua camisa, nem no seu terno.
De resto, é só futebol.
#VaiCORINTHIANS e que São Jorge nos proteja!